O que são ?
Células Acadêmicas “Empreendedoras”: uma alternativa para uma melhor integração universidade-empresa
Por Genésio Gomes (Professor Fundador). Doutor em Engenharia de Software pelo CIN/UFPE e Coordenador do Curso de Sistemas de Informação da FIR genesio@fir.br
1. Problemas Universidade-Empresa; 2. Células Acadêmicas Empreendedoras; 3. As células Acadêmicas da FIR; 4. Considerações Finais
Um resumo deste artigo foi publicado na 1a edição da revista FERA 2009 (clique aqui para ver)
Problemas Universidade-Empresa:
Uma das vantagens de se fazer um curso na área de Tecnologia da Informação (TI) é a grande oferta de oportunidades de trabalho na área. No entanto, o que muitos alunos não sabem, é que várias oportunidades especializadas (e bem mais remuneradas) não são preenchidas pela simples ausência de profissionais capacitados.
Na minha visão isto ocorre por dois motivos principais: 1) uma disparidade entre os perfis exigidos nas ofertas de trabalho e os conteúdos das disciplinas ofertadas nas atuais grades curriculares dos cursos superiores de computação, e 2) por uma pura dificuldade de comunicação entre universidade-empresa.
As estruturas curriculares dos cursos superiores de computação (tais como, os de Engenharia de Computação, Ciência da Computação e Sistemas de Informação) muitas vezes não evoluem na mesma velocidade com que se mudam as necessidades do mercado. O mercado de TI é muito dinâmico pela própria natureza da área. Novas ferramentas, métodos e processos inovadores surgem a todo instante e são rapidamente absorvidos pelas empresas.
Por outro lado, as mudanças nas grades curriculares precisam de uma certa burocracia para ocorrerem, tanto por regulamentações internas das instituições de Ensino Superior (IES) como pelas próprias regras do Ministério de Educação –MEC (www.mec.gov.br). É verdade que muitas instituições mudam suas grades mais constantemente do que outras, e os alunos precisam saber desta informação. Outra verdade é que os cursos de Sistemas de Informação, pela sua própria natureza regulatória do MEC, possuem um viés maior para o mercado de trabalho e possuem grades mais atuais visando este propósito. No entanto, mesmas estas verdades não escondem o problema que a academia e a indústria funcionam em velocidades diferentes.
Outro ponto é que existe pouca comunicação entre as IES e as empresas. É comum os alunos não saberem quais são as empresas do mercado de TI e quais as exigências profissionais elas requerem. Por outro lado, as empresas têm uma dificuldade de acesso aos alunos que se formam dentro do perfil que elas desejam. Algumas IES oferecem sistemas on-line para cadastro das ofertas de trabalho pelas empresas e dos currículos dos alunos, o que já melhora a comunicação. Contudo, no meu entender, uma comunicação mais direta e colaborativa precisa ser alcançada para que tenhamos melhores resultados.
As Células Acadêmicas Empreendedoras:
Uma alternativa para os problemas citados é o que posso denominar aqui de Células Acadêmicas “Empreendedoras”. Células Acadêmicas são geralmente grupos de alunos que estão unidos em torno de um determinado tema ou carreira profissional. A microsoft (www.microsoft.com) hoje, por exemplo, possui um trabalho com células acadêmicas bastante estruturado, onde os alunos fazem estudos de grupo com apoio de profissionais certificados visando o aprendizado de uma tecnologia ou obtenção de uma certificação.
Células Acadêmicas “Empreendedoras” são uma evolução deste conceito onde os alunos são motivados a ter um espírito empreendedor com apoio de empresas. O objetivo dos participantes destas células é auxiliar os demais alunos da IES a melhor se integrarem no mercado de trabalho. A criação de várias Células Acadêmicas Empreendedoras nas IES faz com que seja possível ter diversos focos de atuação, tais como Testes de Software, Gerência de Projetos, Tecnologias Open Source, não limitando os alunos a adotarem uma tecnologia específica e propiciando uma competição saudável entre elas.
Além de realizar os tradicionais estudos de grupo sobre o tema da célula, o perfil empreendedor permite que eles realizem eventos, cursos de capacitação e projetos reais em parceria com empresas do mercado. Tais alunos, pelo seu interesse na área, também incentivam os professores das disciplinas a se integrarem ao movimento das células, associando o conteúdo dado em aula, com as ferramentas e projetos usados pelas células.
As coordenações de curso das IES devem ter um papel fundamental neste processo incentivando a criação das células pela motivação dos alunos que gostam, ou possuem afinidade, em trabalhar em determinados temas, bem como fornecendo professores orientadores e infra-estrutura de laboratórios para a realização dos projetos.
Células Acadêmicas da FIR:
No curso de Sistemas de Informação da FIR-Faculdade Integrada do Recife, curso este em que atuo como coordenador, tivemos um exemplo de sucesso da implantação destas Células Acadêmicas “Emprendedoras”. O movimento da criação de tais células surgiu de forma inovadora nesta instituição em 2008 e não tenho relato de experiências deste tipo em outras IES.
Hoje temos funcionando na FIR uma Célula de Gestão Ágil com SCRUM (http://scrumfir.wordpress.com ), a Célula de Desenvolvimento Microsoft – FIR.NET (http://firdotnet.wordpress.com), a célula OS!Schools de Desenvolvimento OPEN SOURCE (http://osschools.com), uma célula na área de Infra-Estrutura de Rede – INFRA-FIR (http://infrafir.wordpress.com) , e a recém criada célula de Empreendedorismo. Temos como instituições parceiras do movimento a Fuctura Tecnologia (www.fuctura.com.br), o Centro de Inovação Microsoft de Pernambuco – MIC-PE (http://www.micpernambuco.com.br), o grupo de Ciências Cognitivas e Tecnologia Educacional do CIN/UFPE – CCTE (www.cin.ufpe.br/~ccte), e a TWM (http://twmtecnologia.com.br).
Em um trabalho de parceira feito entre alunos, empresas, professores e coordenação da IES, as células em 2 semestres consecutivos de criação já foram responsáveis por eventos diversos, cursos profissionais e competições de desenvolvimento, entre outros projetos. Entre os trabalhos de destaque realizados podemos citar as organizações das duas últimas versões do Workshop FIR de Sistemas de Informação (http://www.workshopfirsi.wordpress.com), que contou com mais de 400 pessoas inscritas cada uma, e um por um projeto de parceria com o CIN/UFPE para a formação de desenvolvedores (commiters) do projeto Amadeus (www.amadeus.cin.ufpe.br).
As células são adotadas por várias disciplinas da grade curricular, tais como as de Gerência de Projetos, Fundamentos de Sistemas de Informação, Programação Orientada á Objetos, entre outras. Nestas disciplinas os professores fazem uma relação entre as atividades das células e os conteúdos dados em sala. Projetos de pesquisa institucionais também são desenvolvidos em parceria com o movimento. Esta amplitude de atuação torna o movimento transversal dentro das atividades de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade.
Considerações Finais
A partir desta experiência várias outras IES têm nos procurado visando uma orientação sobre a implantação de células acadêmicas com esta natureza empreendedora. Espero que esta reportagem incentive alunos e gestores de IES a procurem trabalhar desta forma. Estaremos dispostos a ajudar no que for necessário. As células da FIR são abertas para participação de alunos de outras IES para propiciar esta integração.
Acredito que este movimento de células acadêmicas, mesmo iniciado dentro do curso de Sistemas de Informação, pode ser expandido para quaisquer cursos de graduação do ensino superior. Podemos ter, por exemplo, células acadêmicas em Administração, Direito, Psicologia, entre outras áreas do conhecimento.
Concluindo, informo que as Células Acadêmicas Empreendedoras são uma alternativa para resolução dos problemas de relacionamento entre universidade-empresa anteriormente citados. As mesmas auxiliam a IES a melhorem os conteúdos das disciplinas e dão a formação complementar necessária para os perfis exigidos pelo mercado. A aproximação com as empresas também facilita que uma nova forma de comunicação seja estabelecida, onde as empresas participam no dia a dia da instituição, ajudando na capacitação necessária bem como tendo acesso, através dos líderes de células, aos alunos que mais se destacam nas atividades.